Star Ocean: The Second Story R mescla nostalgia e modernidade em gameplay confortável | Review

Matheus Escobar
7 Min Leitura
Star Ocean: The Second Story R mescla nostalgia e modernidade em gameplay confortável | Review

Na “era dos remakes”, precisamos nos perguntar o que faz um jogo eletrônico merecer ser revisitado. Inovação gráfica é quase sempre a primeira justificativa, mesmo em jogos que não necessariamente peçam uma atualização visual para ainda serem considerados um bom entretenimento.

O remake de Star Ocean: Second Story, sucesso do fim dos anos 90 que é até hoje lembrado com carinho pelos usuários de PlayStation, entra neste mesmo barco – mas acompanhado de uma experiência renovada com carinho.

Quando o primeiro título da franquia Star Ocean foi lançado, ele recebeu diversas críticas positivas que destacavam inovações como a seção de criação de itens, que ainda está presente no jogo ao lado das especialidades, e o combate que poderia ser realizado em diversos estilos de formações.

Ele vendeu mais de um milhão de cópias em todo o mundo e, embora não muito reconhecido pela nova geração, seu remake pode recolocá-lo em seu devido lugar na história dos games.

Lançado em novembro, este novo jogo da Square Enix nos introduz novamente à dupla Claude C. Kenny e Rena, ambos com passados até então misteriosos e confusos. Assim como no original, você pode escolher um destes personagens para ser seu protagonista e, consequentemente, a perspectiva da narrativa mudará consideravelmente com base em sua escolha.

Nesse universo reimaginado em 3D, você se verá dentro de uma história fantasiosa e ajudará os protagonistas a salvarem o planeta de um mal a ser desvendado.

De cidade a cidade e de caverna a caverna, Second Story R traz a nostalgia reconfortante dos antigos RPGs, mesmo que a dublagem/legenda em inglês não fuja muito do básico de uma tradução aparentemente literal demais.

Star Ocean: The Second Story R mescla nostalgia e modernidade em gameplay confortável | Review

E, ah, não se preocupem: a ambientação clássica ainda está no jogo, especialmente na música, assinada novamente pelo compositor Motoi Sakuraba.

Você reconhecerá lugares, mesas de jantar e certamente os demais aliados que pode recrutar ao longo da jornada: Celine, Dias, Opera, Noel, Chisato, Leon, todos estão lá, mas ainda só é possível escolher seis membros do grupo simultaneamente.

A história pode parecer andar rápido demais em alguns momentos, mas você sempre pode alternar para o modo Private Action caso queira “pausar” as reviravoltas e aumentar seu nível de amizade com os aliados escolhidos.

Talvez a principal mudança seja, coincidentemente, uma característica que também apareceu como novidade em Super Mario RPG.

Enquanto no remake do jogo da Nintendo podemos ver o bônus Gauge Move subindo enquanto acertamos nossos ataques, em Star Ocean: Second Story R coletamos pequenas esferas que aumentam nosso nível de Bonus Gauge e Perfect Counter, garantindo melhorias em ataques e defesas mas também tornando nossos lutadores invencíveis até demais.

E, caso você ainda precise de ajuda, pode ativar o modo Assault Formation e invocar um membro de fora do grupo para a batalha.

Star Ocean: The Second Story R mescla nostalgia e modernidade em gameplay confortável | Review
Crédito: Reprodução/IGN Brasil

Outra novidade de combate é que, a certa altura do duelo, o inimigo pode ficar “Broken” (Quebrado, em tradução literal) e incapaz de se movimentar.

A experiência in-game também garante pontos de combate que aprimoram feitiços, habilidades gerais e até influencia suas proficiências culinárias e químicas.

Para os amantes de um bom role-playing game, atenção: é possível pescar. A desenvolvedora acrescentou uma mecânica de pesca que pode ser utilizada a qualquer momento e os peixes pescados podem ser trocados por diversas recompensas.

O remake, porém, peca em deixar os objetivos fáceis demais de serem encontrados e a grande maioria das batalhas também são facilmente vencidas, uma vez que a inteligência artificial do jogo coordena os ataques dos aliados e não há muita dificuldade para conseguir bons itens. Além disso, os combates não são mais aleatórios: agora você consegue visualizar onde os inimigos estão e pode desviar de seus encontros sem muito esforço, assim como em RPGs de turno clássico como Chrono Trigger e Chrono Cross.

Tudo isso, somado com o fato de que só existem dois níveis de dificuldade – fácil e médio – no jogo, pode afastar os jogadores que não gostam de ter soluções apresentadas a todo momento e buscam um nível maio de desafio.

Uma solução para os jogadores mais hardcore ou que querem completar tudo é aproveitar as missões Challenge, com quatro níveis de dificuldades, e as missões Guild.

Ambas acrescentarão novidades para a experiência e garantirão um conhecimento maior sobre todas as mecânicas e itens do jogo.

Somando tudo o que Star Ocean: Second Story R pode oferecer, o jogo certamente te manterá entretido por ao menos 70 horas para explorar mais de um dos quase 100 finais possíveis, que são diferentes com base no nível de amizade que você conquistou com os aliados de narrativa ao longo da aventura principal.

Star Ocean: Second Story R chegou como um remake que promete revitalizar o amor dos jogadores pela franquia e trouxe um estilo de arte que mescla elementos novos e antigos sem perder a harmonia.

Mesmo básica, a história emana narrativas clássicas de JRPGs e nos mantém entretidos com seus personagens de personalidades nada sucintas; o combate é rápido e visualmente divertido, mas por vezes fácil demais e recompensado somente em batalhas chave.

O conteúdo extra após o término dos objetivos principais garante mais algumas boas horas de gameplay, fazendo com que o remake valha a pena tanto pelo fator replay como pelas novidades de interface e mecânicas.

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